Em um protesto incomum e prolongado, o senador democrata Cory Booker, representante de Nova Jersey, realizou um discurso maratona de 22 horas no Senado dos Estados Unidos, manifestando sua oposição às políticas do presidente Donald Trump. Booker iniciou sua fala às 19h (horário local) da última segunda-feira e manteve-se no púlpito até a tarde desta terça-feira, sem sequer interromper o discurso para necessidades fisiológicas.
Com 55 anos, Booker utilizou sua extensa fala para criticar veementemente o atual chefe do Executivo, alertando que as ameaças à democracia americana são “graves e urgentes”. O senador prometeu continuar seu discurso enquanto se sentisse “fisicamente capaz”.
Paralelamente ao seu protesto no plenário, um fato inusitado veio à tona: um de seus funcionários foi detido por portar uma pistola não autorizada nas dependências do Capitólio. Kevin Batts, assistente especial de Booker, foi preso por não possuir a licença necessária para a arma de fogo.
Em comunicado oficial, o Capitólio informou que Batts foi “conduzido” pela segurança do Capitólio dos EUA na companhia de um membro do Congresso, cuja identidade não foi revelada.
Um porta-voz de Booker, em declaração à Fox News, afirmou: “O escritório do senador Booker emprega um detetive aposentado da polícia de Newark como motorista com base em New Jersey, que frequentemente o acompanha em eventos. Estamos trabalhando para entender melhor as circunstâncias em torno disso.”
Apesar da natureza extraordinária do discurso de Booker, a ação não é considerada uma obstrução formal, uma vez que não está impedindo a votação de qualquer projeto de lei específico.
Ao dar início à sua fala, Booker declarou: “Não são tempos normais em nossa nação. E eles não devem ser tratados como tal no Senado dos Estados Unidos. As ameaças ao povo americano e à democracia americana são graves e urgentes, e todos devemos fazer mais para nos opor a elas.”
Ao longo da noite e da manhã, Booker demonstrou sinais de cansaço, mas manteve-se determinado a prosseguir. Colegas democratas se revezaram no plenário para oferecer momentos de breve descanso ao senador, permitindo que ele interrompesse a fala por alguns instantes. Em um desses momentos, Booker chegou a afirmar: “Treze horas? Eu tenho mais no tanque”.
Por volta das 8h da manhã, dirigindo-se à câmara, o senador reiterou sua disposição: “Estou pronto para o que der e vier. Estou bem acordado. Vou ficar aqui o maior número de horas possível”.
A estratégia de Booker de não deixar o plenário para pausas, sentar-se ou usar o banheiro visava impedir que o oficial presidente do Senado avançasse para outros assuntos.
Contudo, Booker ainda está distante de quebrar o recorde do discurso mais longo na história do Senado. A marca atual pertence ao falecido senador da Carolina do Sul Strom Thurmond, que falou por 24 horas e 18 minutos em 1957, em protesto contra a Lei dos Direitos Civis.
COMANDO GERAL