A União Europeia anunciou que está preparando medidas para reagir às novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso as negociações com a Casa Branca fracassem, o bloco implementará contramedidas para proteger seus interesses e empresas, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Na última quarta-feira (3), Trump assinou uma política agressiva de “tarifas recíprocas”, impondo taxas de 20% sobre produtos da União Europeia. A medida afeta mais de 180 países e territórios, de acordo com uma lista divulgada pela Casa Branca.
Resposta da União Europeia
Durante uma transmissão ao vivo na madrugada desta quinta-feira (4), von der Leyen declarou que o bloco está pronto para agir:
“Estamos preparados para responder. Já estamos elaborando novas contramedidas para proteger nossos interesses e negócios, caso as negociações fracassem.”
A líder europeia ressaltou que a UE busca reduzir barreiras comerciais, e não aumentá-las, pedindo diálogo com os Estados Unidos.
“Ainda há tempo para resolver essa questão por meio de negociações. Vamos substituir a confrontação pelo diálogo.”
O comissário europeu para comércio e segurança econômica, Maros Sefcovic, afirmou que conversará com representantes norte-americanos nesta sexta-feira (5). Ele criticou as tarifas de Trump e alertou para impactos negativos da decisão.
“Tarifas injustificadas inevitavelmente têm efeito contrário. Agiremos de forma calma e coordenada, mas não ficaremos de braços cruzados se não conseguirmos um acordo justo.”
Impactos e retaliação
Von der Leyen classificou a decisão de Trump como um “duro golpe” para a economia global, alertando para consequências severas.
“Não há ordem no caos que está sendo criado com essa decisão, que atinge todos os parceiros comerciais dos EUA.”
Ela destacou que os efeitos serão imediatos e afetarão empresas e consumidores em todo o mundo.
“A incerteza crescerá e desencadeará mais protecionismo. Milhões de pessoas sentirão as consequências, especialmente os países mais vulneráveis, que agora enfrentam algumas das tarifas mais altas já impostas pelos EUA.”
A União Europeia pretende apoiar setores afetados, como o de aço, automóveis e farmacêutico. Von der Leyen admitiu que algumas regras do comércio mundial favorecem determinados países, mas criticou a abordagem de Trump:
“Sim, algumas nações se beneficiam injustamente do sistema atual, e a UE está disposta a discutir reformas. Mas recorrer às tarifas como única solução não resolverá o problema.”
Tarifas retaliatórias
A UE já havia anunciado tarifas retaliatórias em resposta a medidas anteriores dos EUA. Em abril, o bloco planeja reintroduzir taxas que estavam suspensas desde o primeiro mandato de Trump. Entre os produtos afetados estão aço, alumínio, máquinas, bourbon, artigos agrícolas, couro e eletrodomésticos, totalizando 26 bilhões de euros (cerca de 28 bilhões de dólares) em bens norte-americanos.
Se as negociações não avançarem, novas tarifas poderão ser implementadas nos próximos meses, ampliando o conflito comercial entre os dois blocos.
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