A aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e Rússia, decidiu nesta quinta-feira (3) aumentar sua produção de petróleo em 411 mil barris por dia (bd) a partir de maio.
A aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e Rússia, decidiu nesta quinta-feira (3) aumentar sua produção de petróleo em 411 mil barris por dia (bd) a partir de maio. Essa medida representa uma aceleração do ritmo com o qual o grupo planejava retornar ao mercado parte dos volumes reduzidos nos últimos anos.
O aumento, quase o triplo do que havia sido planejado inicialmente, será realizado pela Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã, conforme informado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em um comunicado.
Os preços do petróleo reagiram com quedas em torno de 7% após a inesperada decisão dos ministros do setor desses “petroestados” em uma teleconferência, onde revisaram a situação do mercado mundial de petróleo bruto.
“Considerando que os fundamentos do mercado permanecem saudáveis e as perspectivas positivas (?), os oito países participantes aplicarão um ajuste de produção de 411 mil barris por dia, equivalente a três aumentos mensais, em maio de 2025”, indica a nota.
O comunicado faz referência ao acordo alcançado para que os países mencionados possam retornar gradualmente ao mercado um total de 2,2 milhões de barris por dia (mbd) que reduziram voluntariamente de sua produção em 2023.
Após vários adiamentos, esse acordo entrou em vigor em abril, com um aumento de 135 mil barris por dia, e inicialmente estava prevista uma alta similar em maio. No entanto, o aumento anunciado hoje “compreende o incremento inicialmente previsto para maio, além de dois aumentos mensais”, esclarece a OPEP em seu comunicado.
A organização ressalta que esse plano para aumentar a produção de forma “gradual e flexível” pode ser interrompido ou revertido dependendo das condições do mercado.
Essa decisão ocorre poucas horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a imposição de tarifas sobre a importação de produtos. A medida americana impactou todos os mercados, alimentando temores de que possa desacelerar o comércio e a economia mundial, e consequentemente a demanda por energia.
O preço do petróleo intermediário do Texas (WTI) abriu nesta quinta-feira com uma queda de 6,64%, atingindo 66,95 dólares por barril, após Trump concretizar sua política de tarifas globais, interpretada pelos operadores como uma ameaça à demanda de petróleo bruto.
Às 9h00 em Nova York (13h00 GMT), os contratos futuros do WTI para entrega em maio perderam 4,76 dólares em relação à última sessão.
Os temores de uma guerra comercial global que possa prejudicar os mercados internacionais de combustível estão impactando fortemente o WTI na abertura, mesmo após a Casa Branca afirmar que as importações de petróleo, gás e produtos refinados estão isentas das novas tarifas.